quarta-feira, 30 de abril de 2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

O VOO DO PARDAL XXX

Que o ferro continue a verter lágrimas orvalhadas sobre as rosas rejuvenescidas, que o meu coração continue a derramar lágrimas desprovidas de cloreto de sódio na minha aorta diligente. Que os meus olhos continuem a exalar lágrimas silenciosas ao vento do norte, que quando chegarem ao sul já estarão dissipadas. Porque o mundo continua a girar sobre si próprio, durante 24 horas por dia, em torno do sol, durante 365 dias nos anos comuns e 366 dias nos anos bissextos. Porque o sol nasce todos os dias e as estrelas brilham todas as noites.
Porque alguém se lembrou de inventar janelas, eu não poderia, em caso algum, desistir da ilusão de as ignorar, numa luta que só a mim dizia respeito... cujo desenlace só de ti, Juliana, dependia?! 
Porque alguém se lembrou de fechar a janela, eu não desistiria de tentar entrar.
Flor de macieira

segunda-feira, 28 de abril de 2014

FRUTICULTURA BEM SUCEDIDA

A experiência realizada em março, com incisão anelar na macieira, para estimular o aparecimento de um ramo lateral... resultou!!!



sábado, 26 de abril de 2014

O VOO DO PARDAL XXIX

Mas c´os diabos, ainda bem que assim é, imagina que toda a gente se punha a chorar por causa das desgraças alheias. Os oceanos, mares, lagos, rios, ribeiras, charcos e poças de água deixariam de ocupar 2/3 do planeta, para passarem a ocupar 3/3, ou seja, o total da superfície terrestre. Que deixaria de se chamar terrestre para passar a aquática. O planeta deixaria de ser Terra e passaria a chamar-se Água. Toda a gente ganharia barbatanas e guelras viscosas, e assim recuaria no tempo muitos milhões de anos. É claro que toda a gente teria, ainda, a possibilidade de se transformar em seres da Atlântida, em protagonistas duma série de cenários fantásticos, e assim avançar na condição humana a capacidade de sonhar a tempo inteiro.
Pensando bem, seriam muitos arrecuos e avanços na fragilidade já instalada. Arrecuos e avanços demais! Melhor será que cada um chore as suas desgraças, sem apelar à solidariedade das massas e que tudo fique como está, evitando-se assim muitas lágrimas vãs, dilúvios, retrocessos e progressos na espécie.
Gota de água em Saragoça

quinta-feira, 24 de abril de 2014

URGENTE - 25 DE ABRIL II


Vampiros

José Afonso



No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]
A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas
São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada
Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada


terça-feira, 22 de abril de 2014

O VOO DO PARDAL XXVIII

Acordei enregelado, sob o azul tímido da madrugada. As minhas penas estavam ensopadas pela humidade da noite. Tinha marrafas abertas e desordenadas, que deixavam antever a minha pele de cor indefinida e arrepiada, tal pele de galinha.
À minha volta, as ervas estavam molhadas, amassadas e extenuadas pela batalha travada na noite anterior. Tinham sido testemunhas duma luta, no mínimo, original. O sol encarregar-se-ia de as recompor. Assim se encarregasse de me recompor a mim.
Levantei os olhos, ainda remelosos e inchados, para a janela que tinha sido ilusoriamente a porta de entrada para a minha felicidade. Continuava impenetrável. Pareceu-me triste. O rendilhado preto do varandim vertia lágrimas sobre as pétalas das rosas brancas, rejubilantes, que pareciam não se importar com a melancolia do ferro envelhecido.

Foi sempre assim e assim será. Há quem permaneça feliz, mesmo perante a infelicidade dos semelhantes.
Serra da Arrábida

domingo, 20 de abril de 2014

A HORTA DA BARBIE E DO KEN

Fisalis
Beringela
Pimento



Tomate


Corgete


Meloa
Melancia

Malmequer para afugentar pragas
Alfaces
Morangos


Depois de tantos legumes, sabe mesmo bem uma taça de arroz doce!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O VOO DO PARDAL XXVII

 Tinha um coração no meu peito a batucar e a levar o sangue quente a cada milímetro do meu corpo, a cada milésima de segundo. Quente por dentro, frio por fora, ou seria quente por fora e frio por dentro? Que mais poderia eu querer, naquela noite fresca de Primavera, senão a incerteza? 
Deitei-me de costas, asas cruzadas atrás da nuca e pernitas estiradas sobre a erva húmida e perfumada, rendida à minha pressão. Fiquei assim, a observar o céu estrelado.
Havia tantas estrelas cintilantes. Naquela noite, eu podia ter sido uma delas. Era capaz de não ter sido má ideia, brilhar com luz própria, nem que fosse só por uma noite. Ou por toda a eternidade.
Onde estaria Juliana? Por que não esperou por mim?
Uma estrela cintilou-me no canto externo do olho, rolando até à erva fofa. Virei o rosto sobre ela e senti-lhe o sabor salgado. Soube-me bem e fechei os olhos.
Galápos

quinta-feira, 17 de abril de 2014

REGRESSO AO PASSADO V

Este foi o meu 1º trabalho em ponto cruz. 
Era a capa do "chouriço" para vedar uma janela. 






Mariazinha, a panorâmica global da colcha fica para uma próxima vez ;)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O VOO DO PARDAL XXVI

Comigo e com o meu coração foi um pouco ao contrário. Vimos a luz, não através da expulsão mas da inclusão. Ele voltou a habitar dentro de mim em total dependência, absoluta intimidade e plena harmonia, como só um coração e o seu dono o sabem fazer. Nós, os dois, não coexistimos em separado, não poderíamos afastar-nos um do outro, sob o risco de um provocar a morte do outro. Existiremos, para sempre, no estado de vínculo eterno, enlaçado pela mais dúbia das emoções, o instinto da sobrevivência.
Galápos

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O POMAR DA BARBIE E DO KEN


Hoje foi dia de andar pelo terreno a colher imagens do nosso ex libris.
Flor de laranjeira
Damascos
Macieira em flor
Nespereira
Kiwi com flor em botão
Pessegueiro com lepra
Videira
Papoilas
Pereira confusa