terça-feira, 23 de setembro de 2014

DESÂNIMO

No início deste novo ano letivo, a vida pregou-me uma partida... ou será melhor talvez dizer que fui eu que a preguei a mim própria.
Há pessoas que nunca aprendem com os erros. Há pessoas que nunca perdem alguma da sua ingenuidade e que se mantêm estúpidas para o resto das suas vidas.
Eu sou uma dessas pessoas.
Aqui há tempos, eu dizia que nunca iria mudar porque não queria. Apesar dos dissabores que essa forma de estar me trazia, eu achava que o balanço, no final, seria sempre positivo, de uma forma ou de outra.
Mas não, não é sempre positivo, principalmente quando verificamos que os meios, às vezes, são demasiado tortuosos para os fins que se atingem, e que a qualidade da nossa vida não depende só dos objetivos atingidos mas principalmente dos caminhos que percorremos para os atingir.
No início deste ano letivo, dei uma lição a mim própria: que não há limites para a estupidez. principalmente quando a ela estão associadas algumas das nossas melhores caraterísticas, como por exemplo o altruísmo.
Este maldito altruísmo enfiou-me num poço sem fundo. E a prova mais óbvia disso, para os meus visitantes, é a frequência com que venho ao meu blogue.
Parece ridícula, pois parece, esta razão conclusiva. Mas esta tem sido a forma minimalista que eu tenho adotado para sobreviver no meu mundo demasiado complexo... e que me tem impedido de crescer.

Lagos

sábado, 13 de setembro de 2014

O VOO DO PARDAL LVI

O Monte Roseiral era uma propriedade rural, de grande extensão e Juliana era uma latifundiária. Há uns anos a esta parte, com esta conversa, estaria a chamar-lhe fascista, partidária da direita, reaccionária, anti-democrata e outras coisas no género. Actualmente, e perante o impacto social, político, económico e educativo dos media, estaria a chamar-lhe tia. E ela a alcunhar-me de sobrinho.
Confesso que me agradava a potencial intimidade do parentesco, embora ele não passasse dum duvidoso devaneio momentâneo.

Na realidade, Juliana não era uma coisa nem outra. Assim como eu não passava dum pardal-dos-telhados, ela era uma rapariga simples que gostava de coisas triviais.

Arrifana

domingo, 7 de setembro de 2014

MILHO DE PIPOCAS - PARA QUE TE QUERO?


Eu tinha um sonho desde criança: fazer pipocas!
Estraguei algumas panelas e fiz muitas mixórdias, usando milho impróprio.
O sonho continuou a perseguir-me já na vida adulta. Só quando ia ao cinema acalmava um pouco a obsessão...
Há anos, no jardim de infância, tentei fazer uma sementeira, usando milho de compra. Não germinou.


Este ano consegui, junto de uma mãe de uma das minhas crianças, milho caseiro, com o qual fiz uma sementeira na minha horta. Germinou maravilhosamente e produziu admiravelmente.

Preparei-me para concretizar aquele sonho adiado.
Preparei um recipiente de plástico, daqueles que libertam dioxinas no microondas, com um pouco de óleo, açúcar e o milho. Ouvi o caraterístico rebentar cheia de expetativa. Fui espreitar e vi que o fundo do forno estava coberto de pipocas. Não quis interromper o processo porque o recipiente ainda tinha milho por rebentar. Pouco depois, verifiquei que o milho que estava inteiro estava a ficar queimado e resolvi intervir. O fundo do recipiente estava derretido...

Não desisti e fui buscar um pirex. Coloquei o óleo, caramelo líquido e o milho.
Qual não foi o meu espanto quando ouvi um enorme estrondo: o pirex tinha acabado de explodir.




As poucas pipocas que consegui aproveitar estavam emborrachadas.
E foi assim que terminou um sonho de uma vida inteira...

sábado, 6 de setembro de 2014

O VOO DO PARDAL LV

Habitualmente, os passer domesticus são caracterizados pelo voo directo e perfurador, complexo e desajeitado, com batimentos de asas muito rápidos e contínuos. Eu constituía a excepção à regra, razão pela qual desisti do gregarismo.
As minhas omnixperiências permitiam-me, agora, matizes invulgares e divinas, à imagem e semelhança de Capelo Gaivota. Eu tratava por tu todo um manancial de acrobacias aéreas, voos planados, piruetas completas, parafusos invertidos, curvas perfeitas, alta e baixa velocidade, baixa e alta altitude, etc., etc., etc. Todo o meu corpo, desde a ponta de uma asa até à ponta de outra asa não é mais do que o meu próprio pensamento, numa forma que eu posso ver. Se eu quebrar as correntes do pensamento conseguirei quebrar as correntes do meu corpo.
Grande lição Bach me ensinou, por ocasião de ter ficado fechado, durante uma noite, numa biblioteca. Grande lição. Da qual me haveria de esquecer, sem disso dar conta.

Naquele dia, pleno de liberdade e despojado de todas as correntes, avancei na minha descoberta do Monte Roseiral e zonas limítrofes.
Arrifana

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

SALDOS EM FIM DE ÉPOCA

O saco das compras, iniciado no inverno, está pronto e está à venda e disposição dos meus fiéis visitantes!
Vendo para qualquer parte do globo: Portugal, Estados Unidos, Alemanha, China e Polónia.

Garanto que nunca foi utilizado.
A foto abaixo apresentada é uma simulação que visa revelar ao potencial cliente a real capacidade do saco.

É uma peça única e original que dispensa mais apresentações... e só custa 25€ mais portes.
Aproveite, que amanhã já é tarde!