domingo, 12 de outubro de 2014

O VOO DO PARDAL LVIII

No topo do monte mais alto erguia-se a casa. Pela encosta poente descia um campo de trigo maduro que se dissipava no espaço, que transpunha outeiros e valados, perdendo-se de vista. Tanto oiro derramado por aquelas ladeiras acima e abaixo!
O lado nascente oferecia uma paisagem diferente. Era uma zona plana, subdividida em quadrados geometricamente diferentes, completamente preenchidos de verde, um verde tão intenso que chegava a ferir os sentidos. Era um arrozal.

 A curta distância do arrozal, um açude reflectia o azul luminoso de um Estio que se anunciava tórrido. Na planície, junto ao açude, as ovelhas e as vacas pastavam preguiçosamente nas margens viçosas das águas frescas, longe das ameaças esquecidas da BSE. As ninfas, talvez parentes das Tágides, que se tinham mudado para estas paragens mais recônditas, emergiam das águas em todo o seu esplendor e conversavam com o gado. Contavam-lhes histórias fantásticas de feitos heróicos de gerações passadas e vindouras.

Marina de Portimão

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

AS COISAS BOAS DA VIDA

Estava esquecida das coisas boas da vida. Daquelas coisas que nos dão trabalho, que nos deixam cansados fisicamente mas com aquela sensação de satisfação e de ascensão.

Tão diferente da sensação de um dia de trabalho como empregada.


Quando ainda estávamos de férias, comprámos 10 frangos para engordar.


Ainda quando estávamos de férias e cortámos as sebes, encontrei vários ninhos. Este parece-me ser um ninho de melro

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O VOO DO PARDAL LVII

Juliana tinha a sorte de poder viver isolada do bulício civilizado. Entre o Monte Roseiral e a perfeição do estado social, a chamada civilização, existiam muitos hectares de charnecas belas e inóspitas, pinheiros formosos e sussurrantes, sobreiros nobres e melancólicos, oliveiras férteis e iluminantes, todos com elevado poder de absorção de energias negativas.
A todos, Juliana fornecia nutrientes, posteriormente sintetizados e libertados sob a forma de essências puras, consumidas avidamente pela própria. Juliana renascia quando passava de carro, com os vidros abertos, e atingia a perfeição do estado individual.

Cheguei a assistir ao fenómeno, o que em impressionou.

Eterna saudade das férias - Lagos