sábado, 29 de novembro de 2014

O VOO DO PARDAL LXI

Os animais, em pânico, corriam de um lado para o outro, em busca de refúgio. Nenhum deles conseguiu manter o sangue frio, para liderar a manada tresmalhada. As ninfas submergiram.
Aquilo passou e eu respirei de alívio. Olhei para o céu e vi uma avioneta, uma avioneta amarela.
Observei com atenção a avioneta. Voava a uma altitude muito baixa, quando sobrevoava a várzea. Excessivamente baixa. E expelia uma nuvem amarelada pela traseira, depois de ultrapassar alguns metros a borda do primeiro canteiro de arroz.

Uma lâmpada acendeu-se por cima do meu crânio e iluminou-me as ideias: arroz, ninfas importadas da China, avioneta amarela, provavelmente enviada pelos chineses, eram coincidências a mais. Estaria o Monte Roseiral em vias de se tornar numa colónia chinesa?

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A SÓS COM A MINHA HORTA

Hoje, à tarde, não tive reuniões. Tive uma tarde só para mim e dediquei-a, em exclusivo, à minha horta.
Havia ervas daninhas por todo o lado. Comecei a arrancá-las numa ponta e acabei na outra.
A minha horta começa a parecer-se com a superfície lunar e eu gosto dela assim. Deixei as ervas em montes, que serão recolhidos no sábado pelo Ken para o carrinho de mão.

Li no Borda D´Água que as árvores devem ser estrumadas em novembro. Como não tinha estrume, espalhei adubo nestas videiras raquiticas. Espero que para o próximo ano produzam belas uvas...


Reparei, admirada, neste pessegueiro que em pleno novembro já está em flor. 
Provavelmente, com as geadas, as flores vão morrer.


Esta é a minha estufa. Tantos planos que eu tinha para ela!
Planeei plantar alfaces, tomates, pepinos, feijão verde, etc...


É tão grande a minha estufa! E ocupada apenas por meia dúzia de alfaces, porque não há tempo para mais.


Até os miseráveis dos feijões verdes foram comidos pelos caracóis, só restando os caules.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O VOO DO PARDAL LX

De repente, comecei a ouvir um ronco distante, que se aproximava cada vez mais forte, ferindo os meus ouvidos. Perguntei-me quem teria o desplante de perturbar o equilíbrio daquele cenário assaz idílico.
Uma sombra enorme movia-se no chão e parecia vir na minha direcção. A minha plumagem eriçada e solta, com aspecto desalinhado por natureza, eriçou-se, soltou-se e desalinhou-se mais ainda. Fiquei em pânico, o ronco crescia, a sombra crescia, tudo crescia na minha direcção e eu mirrava de pavor. Encolhi a cabeça sob as asas e fechei os olhos, quando ele passou sobre mim. Um raid aéreo, raciocinei rapidamente.

Impossível. Não estávamos em guerra com ninguém.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

MOMENTOS DE VERÃO

Não consigo adaptar-me ao meu novo estilo de vida.
Vivo angustiada, na ânsia de ver este ano letivo terminado.
Tudo o que me faz recordar o meu antigo estilo de vida enche-me a alma de felicidade. Os milhares de pequenos afazeres que me escravizaram, hoje, sabem-me a pouco.


Esta é a nossa sala de exterior que eu criei no verão.



Esta é a minha coleção de pedras. Costumo recolhê-las nas praias por onde passo.
Comecei há vários anos, sempre com o objetivo de as rotular, para relembrar a sua origem. A tarefa foi sempre adiada. Hoje já não consigo recordar de onde as trouxe... com exceção da 1ª do lado esquerdo, veio da Praia da Foz, no Porto.



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O VOO DO PARDAL LIX

As vacas e as ovelhas paravam de mastigar para as escutarem, boquiabertas. Estas paragens constantes na digestão permitiam que a carne ficasse mais tenra e saborosa.
Quem sabe se as ninfas tinham sido, afinal, importadas da China e movidas a pilhas, com o propósito de melhorar a qualidade da carne, como alguém chegou a comentar. Não, eu não acreditava nesta hipótese. O fabrico em série, a baixo custo e importado, a estratégia de marketing, eram trapaças sem lugar cativo num ecossistema tão genuinamente lusitano.

Com excepção do tapete de Arraiolos, que tinha sido uma pechincha irrecusável, numa grande superfície comercial.
Alte

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

UMA VERDADEIRA NOITE DE OUTONO

Lá fora, a chuva cai em bátegas e a ventania rodopia nas árvores, arrancando as primeiras folhas deste outono tardio.
O tempo ideal para acender a lareira.


Em setembro, resolvemos fazer obras e instalar um recuperador de calor. Estávamos cansados de gastar lenha para o calor se perder quase por completo na atmosfera.




Consigo imaginar as aranhas do meu jardim aconchegadas nos seus esconderijos.
Não gosto nada delas. Arrepiam-me.