sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O VOO DO PARDAL LXIII

Durante o resto da tarde, ele rondou o arrozal envenenando cada uma das células das espécies ilegais e legalizados, com a nuvem amarelada. A vida parecia deixar de jubilar, sob aquele escudo visível. A nuvem letal invadia subtilmente cada centímetro cúbico de ar puro até se depositar, irremediavelmente, na água, no solo e sobre os que nele habitavam. As plantas, sem se poderem locomover, murchavam. Os animais, desprovidos da sua sensibilidade, perdiam o rumo e o brilho do olhar... Este abutre-preto limitava-se a matar por matar, lentamente, virando as costas, para voltar em seguida ao ataque. Era esta a característica principal que o distinguia dos demais.

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